Camaradagem, imprevistos e histórias divertidas fazem parte da rotina do treino de estrada. Sempre tem alguém que acaba com o pneu furado, sem água ou que não consegue pedalar até o fim. Essas pequenas adversidades, comuns em um treinamento longo, unem o grupo, que varia de 5 a 6 pessoas.

Outro fator que gera uma irmandade forte é a proteção contra os perigos: carros em alta velocidade e caminhões incomodados com a nossa presença. Tanto que para quem olha de fora a sensação é de que somos amigos de longa data. Em muitos casos, somos apenas colegas, unidos por aquela situação.

Quando comecei a participar de provas de triathlon, pedalava 30 km e achava o máximo. Hoje, rumo ao Ultraman, já alcancei a marca de 200 km. Porém, o mais importante não é a distância em si e sim a frequência com que é realizada. Nesses últimos dois meses, consegui pedalar entre 130 e 180 km quase todos os fins de semana.

Os treinos na estrada são muito importantes porque simulam a realidade de uma prova em pontos cruciais: ritmo, alimentação e potência. Caso algum desses itens seja realizado de maneira errada, a conta chega antes mesmo do final do treino na forma de câimbras e falta de força. Aqui aprendo também a testar meus limites: onde poderei arriscar ou terei que tomar mais cuidado. Se me arriscar e não tiver sucesso, dificilmente terei boa performance na prova.

Na volta para casa, depois de cerca de seis horas pedalando, o cansaço é imenso, mas a sensação de mais um treino realizado e do conhecimento adquirido, vale cada gota de suor.

Depois de 13 semanas, faltei apenas uma vez.

Até o próximo treino, sempre em busca de limite, autoconhecimento e aprender a extrair o melhor de mim mesmo.