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Além do Ultraman

mês

maio 2017

Nutrição: mais um desafio

Mudar hábitos alimentares não é coisa fácil. Comer de três em três horas, ingerir comidas naturais e menos alimentos industrializados… Desde o início desta jornada, sabia que a alimentação seria o ponto mais difícil. Ainda bem que conto com a ajuda da nutricionista Fernanda Palma, focada em melhorar meu desempenho.

A nutrição é fundamental nas provas longas. Na nova rotina que estou construindo, é importante que a alimentação diária seja feita em intervalos curtos, principalmente para acostumar o corpo que está sempre gastando o que consome. Se comer muito com grandes intervalos, o corpo armazena gordura/alimentos, pois não sabe quando será a próxima ingestão de energia. Com uma rotina adequada e com intervalos menores, meu corpo se acostuma a comer e gastar, comer e gastar. Ajudando a digestão e a produção de energia rápida. Daí a importância de comer alimentos corretos em horários determinados. De uma maneira geral, antes do treino: açúcar e carboidrato. Após: proteína.

Tudo está sendo testado visando o Ultraman: a quantidade ingerida por determinado tempo, qual o melhor tipo de alimento, sólido ou não, doce ou salgado… Assim, na hora da competição estarei acostumado a manter meu “tanque” constantemente abastecido e a me recuperar e estar bem no final de cada dia.

Porém, entender a teoria é fácil, a dificuldade está na prática. Acabo cometendo vários deslizes e comendo coisas erradas nas horas erradas. A um ano da prova, estou melhorando, mas ainda longe da perfeição. Sigo nessa batalha que para mim carrega uma dificuldade maior que a dos próprios treinos. Mas aos poucos estou descobrindo alimentos que me agradam, são nutritivos e me ajudam a estar pronto para o próximo treino, pois o maior problema não é a ingestão de calorias e sim os alimentos não nutrirem meu corpo para estar pronto para render o melhor possível na próxima sessão de treino.

Olhando para trás, vejo que já errei na nutrição e mesmo estando bem treinado tive péssimo resultado. O contrário também já aconteceu, uma nutrição correta com menos treino me rendeu uma excelente prova. O ideal é acertar tanto o treinamento quanto a nutrição. Trabalhamos para isso.índice

A cabeça transforma

Depois de participar da Maratona de São Paulo, foi difícil voltar à minha rotina. Fiquei mais de uma semana sem conseguir treinar direito, fazendo apenas treinamentos leves.

Foi complicado lidar com a frustração por não ter conseguido fazer o que planejei e, como consequência, controlar o que passa pela minha cabeça e o que sinto.

Sabia que não iria ser fácil manter o mesmo ritmo por muito tempo. A Maratona chegou depois de dez semanas ininterruptas de treino. Estava mantendo um ritmo forte e fui para a prova pensando que só iria correr 42 km. Mas 42 km é uma distância bem desafiadora. Nunca é fácil. O resultado não foi catastrófico ou horrível, mas acabou mexendo comigo. A isso se juntou o cansaço acumulado.

Nas semanas depois da prova, precisei sair de um lugar incômodo, cheio de maus pensamentos. É muito difícil explicar para vocês como a cabeça rege a nossa vontade, o nosso corpo. Um dos objetivos do projeto é mostrar como o corpo muda, mas é a cabeça que faz esse corpo mudar. Para isso, ela tem que estar forte, preparada e consciente para que tudo aconteça de uma maneira legal. Estou aprendendo a lidar com tudo isso com a ajuda do Arthur, meu psicólogo.

No feriado de Tiradentes, voltei a fazer treinamentos longos, visando agora o Ironman Brasil, que acontece no dia 28/5, uma prova intermediária para o nosso projeto.

Estou de volta. Aos poucos, eu chego lá.

Na estrada

Camaradagem, imprevistos e histórias divertidas fazem parte da rotina do treino de estrada. Sempre tem alguém que acaba com o pneu furado, sem água ou que não consegue pedalar até o fim. Essas pequenas adversidades, comuns em um treinamento longo, unem o grupo, que varia de 5 a 6 pessoas.

Outro fator que gera uma irmandade forte é a proteção contra os perigos: carros em alta velocidade e caminhões incomodados com a nossa presença. Tanto que para quem olha de fora a sensação é de que somos amigos de longa data. Em muitos casos, somos apenas colegas, unidos por aquela situação.

Quando comecei a participar de provas de triathlon, pedalava 30 km e achava o máximo. Hoje, rumo ao Ultraman, já alcancei a marca de 200 km. Porém, o mais importante não é a distância em si e sim a frequência com que é realizada. Nesses últimos dois meses, consegui pedalar entre 130 e 180 km quase todos os fins de semana.

Os treinos na estrada são muito importantes porque simulam a realidade de uma prova em pontos cruciais: ritmo, alimentação e potência. Caso algum desses itens seja realizado de maneira errada, a conta chega antes mesmo do final do treino na forma de câimbras e falta de força. Aqui aprendo também a testar meus limites: onde poderei arriscar ou terei que tomar mais cuidado. Se me arriscar e não tiver sucesso, dificilmente terei boa performance na prova.

Na volta para casa, depois de cerca de seis horas pedalando, o cansaço é imenso, mas a sensação de mais um treino realizado e do conhecimento adquirido, vale cada gota de suor.

Depois de 13 semanas, faltei apenas uma vez.

Até o próximo treino, sempre em busca de limite, autoconhecimento e aprender a extrair o melhor de mim mesmo.

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